Precisamos conversar sobre o Ballet masculino

Diego
27 de novembro de 2017
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A dança é uma atividade praticada tanto por mulheres quanto por homens. Porém, é fácil notar que estilos como o ballet masculino sofrem com o preconceito, causado pela ignorância de uma parte da sociedade.

Por isso, um assunto que precisa ser debatido é a presença de homens no ballet. A seguir, vamos mostrar a importância dos bailarinos ao longo da história, discutir os desafios dos dançarinos e entender os benefícios da prática. Confira!

Ballet: no começo, só para homens

Para quem acha que “ballet é coisa de menina”, um pouco de história pode fazer muito bem. O ballet clássico surgiu nas corte italianas por volta do século 15, criado por homens e praticado apenas por eles. As mulheres só apareceram na dança em 1681.

Mesmo depois que as mulheres passaram a ser aceitas nas academias de ballet, os homens mantiveram o papel de destaque. Um dos motivos é que as bailarinas eram obrigadas a usar roupas longas e pesadas, que dificultavam o movimento.

Mudanças

A partir do momento em que as coreografias com saltos e giros ganharam espaço, as mulheres tiveram que buscar uma solução para aparecer mais. A bailarina belga Marie Ann Cupis encurtou suas saias e baixou os saltos de seus sapatos a fim de desenvolver melhor os passos, revolucionando o ballet.

Ao longo do Romantismo, no século 19, as mulheres ganharam destaque na dança, em histórias que as colocavam como o ideal do amor. Assim, a figura da bailarina como um ícone da delicadeza, da suavidade e do mistério se consolidou — e passou a definir o modo como encaramos o próprio ballet de maneira geral.

Esse imaginário contrasta com um ideal de masculinidade que ganhou força nos séculos 19 e 20 e tem como alguns de seus valores a heterossexualidade, a virilidade, a rigidez e mesmo a brutalidade. Logo, até hoje, homens que praticam ballet acabam sofrendo por não seguir um padrão imposto pela sociedade e que é carregado de preconceito, machismo e homofobia.

Uma arte para todos

Ballet não tem nada a ver com gênero, sexualidade, etnia ou nacionalidade: é uma arte universal, que pode ser praticada e apreciada por qualquer um. Por isso, defender que não se trata de algo para homens é uma visão nociva, que causa dificuldades para os profissionais e pode constranger os jovens que desejam entrar para a dança.

A participação de dançarinos de alto nível é fundamental para o ballet de qualidade. Tanto é que, ao longo da história, vários homens se destacaram e foram reconhecidos, como Michel Fokine, Rudolf Nureyev, Mikhail Baryshnikov, Erik Bruhn, Arthur Mitchell e o brasileiro Thiago Soares, atual primeiro-bailarino do Royal Ballet de Londres.

Todos eles foram essenciais para o ballet e encantaram multidões ao redor do mundo, inspirando diversos homens a seguir seus passos. Além disso, desempenharam papel central em companhias como Ballet Bolshoi, Royal Danish Ballet School e New York City Ballet.

Benefícios do ballet masculino

O ballet traz diversos benefícios para os homens que o praticam. Além de ajudar a desconstruir uma visão deturpada da masculinidade, o estilo oferece vários ganhos de ordem física e mental.

Com seus exercícios, o ballet melhora a postura e a elasticidade do corpo. Além disso, aperfeiçoa o controle da respiração. Vale destacar também que a dança ajuda no emagrecimento e na definição muscular.

Não podemos nos esquecer dos ganhos de autoconhecimento e autoestima. Afinal, quem pratica ballet passa a conhecer melhor o próprio corpo, a descobrir as próprias limitações e como superá-las. Assim, o treino e a disciplina favorecem o crescimento pessoal e a uma maior confiança em si mesmo.

Por tudo isso, precisamos falar sempre mais sobre o ballet masculino. Então, que tal fazer esse debate continuar? Compartilhe o texto nas suas redes sociais!