Conheça Mercedes Baptista, a primeira bailarina negra

Nem sempre o espaço do ballet foi tão democrático como hoje. Por muito tempo, esse foi um ambiente segregado, no qual a presença de negros era nula ou quase nula. Por isso, é tão importante celebrar a ascensão da primeira bailarina negra, Mercedes Baptista, e conhecer mais como ela conseguiu destaque nesse estilo de dança.

Mercedes foi muito importante para o ballet nacional e marcou a história do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. No mês de maio, comemorou-se o centenário dessa bailarina tão especial para a história da dança. Se você quer conhecer mais sobre Mercedes Baptista, confira este artigo e inspire-se com a trajetória dessa grande mulher e profissional que ocupou espaços e marcou a vida de muitos jovens bailarinos.

Conheça a história de Mercedes Baptista

Mercedes Baptista foi a primeira bailarina negra que fez parte do corpo de ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Ela nasceu em Campo dos Goytacazes e chegou à capital do Rio com a mãe, costureira, que começou a trabalhar como empregada doméstica. Para ajudar a mãe, Mercedes começou a trabalhar em alguns locais, como gráficas e bilheteria de cinema.

No segundo, ela conheceu sua vocação: o ballet. A bailarina iniciou seus treinos com a professora Eros Volúsia. Rapidamente, Mercedes demonstrou muito talento e se destacou. Logo, ela teve aulas com o mestre Yuco Lindberg, um professor estoniano que viu o potencial de Mercedes.

Entenda a ascensão de Mercedes Baptista

Então, como Mercedes se destacou no meio de tantas bailarinas com mais acesso a treinamentos e outras vantagens? Mercedes teve uma tarefa árdua, interpretar uma coreografia exclusiva e inédita. Yuco coreografou o balé “Iracema”, inspirado na obra de José de Alencar, para que Mercedes Baptista realizasse a performance. Assim, ela conseguiu conquistar profissionais da área e muitos admiradores da dança.

Em 1950, Mercedes foi ao Primeiro Congresso do Negro Brasileiro e foi selecionada para estudar na Duham School of Dance, em Nova Iorque. Ao completar os estudos, ela iniciou os trabalhos com jovens negros de baixa renda e criou uma técnica para o ballet afro. Não só no ballet, mas em diversos outros ritmos e áreas da dança, a bailarina fez história com seu talento e simpatia. Em 2014, Mercedes faleceu em decorrência de problemas cardíacos, no asilo onde morava.

Saiba por que Mercedes Baptista é importante para o ballet

Apesar de ter sido tardio, o desenvolvimento profissional da primeira bailarina negra no Brasil foi — e é — muito importante para a história da dança no país. Lugar onde grande parte da população é negra, a inclusão é essencial e fundamental em espaços segregativos. Mercedes Baptista traz representatividade para os jovens negros que desejam seguir uma carreira no ballet, despertando sonhos e fomentando seus anseios e trajetórias.

Celebrar e respeitar a história dela é fundamental para um ballet mais democrático, equitativo e justo. Por isso, o legado deixado por Mercedes é muito maior que uma técnica de dança, envolve a luta contra o preconceito e o racismo, inspirando jovens a não desistirem dos seus sonhos.

Por ter sentido na pele a discriminação racial, a primeira bailarina negra precisou provar ainda mais o seu talento, buscando espaço para se destacar. A bailarina rompeu com paradigmas raciais e ocupou espaços nos quais não era bem-vinda pela cor da sua pele e condição social. A sua importância para a dança representa muito.

Se você se inspirou com a história de Mercedes Baptista, aproveite para compartilhar com seus amigos nas redes sociais e ajudar outras pessoas a conhecerem e se inspirarem na trajetória dela.

Collant - Evidence Ballet